31/12/2010

Memória é sinônimo de Música


Creio que eu não seja a unica a ouvir musica. Creio não, tenho certeza absoluta.
Quantas vezes não ouvi, cantei, cantarolei, murmurei ou recitei alguma musica com as amigas na sala de aula, no pátio da escola, com o namorado enquanto tocamos violão. Pensei várias vezes em fazer uma retrospectiva, para conseguir reviver cada gostinho, cada beijo, cada abraço, cada lágrima, cada ... música de 2010. Quanta coisa para dizer, para chorar lembrando... cantar para mim é tão fácil! Ouvir cantar... melhor ainda!

Resolvi contar como foi o meu ano. Em forma de música. Não vou agradar a gregos, troianos e loiras, mesmo porque, é impossível.

- Nada contra loiras, modo de falar. -
Enfim...

28/12/2010

O Coração


- Ceres, toma. - disse, jogando em cima da carteira.
- O que é isso, Samuel? - perguntei, olhando pro cristal em forma de...
- Coração. Meu coração.
  Ele saiu andando, com convicção.
- Sério?
  Ele parou, e olhou para mim.
- Você me deu mesmo? - eu disse estendendo a mão com o coração na palma.
- Sim, dei. - e voltou a andar.
  Olhei aquela coisa reluzente que, mesmo sem olhos, retribuia o olhar.
Fiquei calada por alguns segundos.
- Ceres, o que é isso?
- O Samuel me deu o coração dele.
  Aquele coração rodou a mão de metade da sala, e eu não sabia o que fazer com ele.
Joguei na mochila. Tirei da mochila, fotografei. Coloquei na estante, como um troféu.
E só. É lá que ele vai ficar.

Eu desejo...


- Quando te conheci, nunca imaginei que ficaríamos juntos, e que você me faria tão feliz. - eu repeti.
Eu virei o pescoço, para poder olhá-lo melhor.
Ele sorria para mim, e ajeitava meu cabelo com carinho, colocando-o atrás da orelha.
- Você foi a melhor coisa que aconteceu comigo esse ano... - eu continuei.
Me olhando com cautela, ele segurou meu rosto com as duas mãos, e me beijou.
Ainda de olhos fechados eu sorria. Sorria, porque não conseguia fazer outra coisa. Ainda sentia suas mãos protegendo meu rosto, e sua respiração muito perto de mim.
- 10
- 9
- 8...
Ele se levantou e me puxou com ele. Me abraçou com força, e me levantou uns 5 centímetros do chão enquanto cheirava meu cabelo.
- Te amo.
- Também ... digo, te amo.
- Hã?
- Eu não te amo também, eu só te amo. Te amo pelo fato de você existir, te amo pelo fato de você me ouvir, de me abraçar, de simplesmente sorrir para mim... te amo por isso. - e sorri para ele novamente.
Ele abriu um sorriso maior ainda, e me beijou novamente.
Quando dei por mim, os fogos já queimavam céu afora. Era um Ano Novo que começava.
- Feliz Ano Novo.
- Feliz Ano Novo.
Naquele dia, descobri que todas as minhas expectativas que eu tive durante o ano, coisas que eu nunca pensei que se realizariam, estavam ali, comigo. Descobri que sonhar com amor, nunca é demais.
Estava convicta que, nesse ano que começava, eu não tinha empecilhos para conseguir o que eu queria.
- Tem problema se eu te contar o meu desejo?
- Não, porque eu acho que o meu é o mesmo.
Eu sorri.
- Quero ficar com você esse ano.
- E no outro.
- E no outro...
Pulei no seu pescoço, e beijei seu rosto. Senti ele me apertando pela cintura.
Eu não precisava de mais nada. E meu desejo era esse. Meu não, nosso desejo.

Pauta para o Projeto Bloínquês

24/12/2010

Sobre Pequenos Milagres Natalinos


Já vou começar dizendo que, se caso você não tenha muitos dotes culinários, não tente fazer milagres cozinhando pra família inteira. (é brincadeira)

Dia desses, estava no Silva Jardim, o centro espírita que eu frequento. Cheguei e cumprimentei a todos, como sempre fazia. Quando me viram, disseram que queriam me mostrar uma coisa. Fui atrás. Abriram a porta com cautela, e empurraram, para que eu pudesse ver o milagre com detalhes: eram muitas cestas básicas, aos montes, fazendo pirâmides e escalando a parede, numa sala relativamente média. No canto havia uma mesa  com as quatro pernas tampadas pelas doações; cheia de enlatados em cima.
- Olha o que o espírito natalino não faz! 
Me recostei na soleira da porta, e, também sorridente, admirava o nosso milagre natalino.

Acredito na hipótese de que no Natal, acontecem milagres. Que uma sala pode se encher de doações em alguns dias, que o primo do interior pode ser mais legal do que se imagina, que seu tio pode sim, gostar da música que você aprendeu a tocar no violão, que seu avô goste do seu namorado, e, mais ainda, do fato de ele gostar de você.

Só não quero acreditar que todos os milagres estão concentrados nessa data.
Vamos fazer um Natal diferente. 

Não estou falando em exercitar toda a sua paciência com sua priminha mais nova e com seu irmão,
ajudar com a louça depois da ceia, lavar o carro para o seu pai, fazer um carinho no cachorro hoje.
Estou falando de fazer um pouco disso, todos os dias, para tornar cada data do ano, uma data de milagres.

21/12/2010

O Poema



Encontro na esquina
O primeiro olhar e um suspiro profundo;
Um desejo esperto e um sorriso lindo;
Pedi um beijo e simplesmente;
                   Beijei.
                   Amei.
                   Felicidade, cantei.
                   E com ela eu fiquei,
                   Pra sempre. 


Te amo, Matheus.

20/12/2010

Sobre Ditas Histórias de Amor

Já contei que é a Conspiração Vital que me fazia escrever. É uma espécie de "Inspiração Vital", segundo minha amiga Bia. Sabe qual é o problema? Não tem mais Conspiração Vital. Não tem.
Então você, minha querida, que sofre de amor platônico, de não ser correspondida, se sinta feliz.
Por que, quando isso tudo acabar, e você tiver um namorado lindo, planos pra faculdade, roupas legais, e, fazer o que gosta, com certeza, você vai custar a escrever. Tá bom, você pode ter sorte, tipo a Br Vieira, do blog Depois dos Quinze (que aliás, eu adoro). Pelo o que eu sei, aconteceu o mesmo com ela. O "amor-sofrimento" acabou, e ela foi escrever sobre outras coisas, e deu certo. Não, não é o meu caso, porque simplesmente eu não consigo mesmo. - Disse isso quando fui fazer pestana no violão, e depois eu consegui, mas mesmo assim, é diferente.- Então, voltando ao assunto, o sofrimento, a dúvida, e todas essas coisas rendem textos legais, seja de qualquer gênero. Isso não é um regra, porque senão todos os escritores famosos seriam um poço de tristeza e desilusão. Não conheço nenhum para poder dizer isso, mas né, toda regra tem sua excessão, e eu acho que nesse caso, as excessões são muitas.
Essa semana eu tentei escrever um trilhão de vezes aqui no blog. E não consegui. Toda vez que eu não dou conta, ou eu vou ver o blog da Br, o Depois dos Quinze, ou vou começar a ver o filme 500 Dias Com Ela (começar, porque eu nunca terminei). Pode parecer que não, mas isso tem uma ligação. Tudo aqui começou de uma história de amor. E histórias de amor que tem graça são as piores de viver. (Aliás, pensando bem, não são de amor). Foi assim que nasceu o Conspiração Vital, o Depois dos Quinze, e é disso que fala o filme. Não vou fazer sinopse nem essas coisas.
É isso que eu queria dividir com vocês. As ditas histórias de amor, mas sem amor rendem coisas boas, pelo menos nesses casos.
Agora já é tarde, está quase todo mundo de férias, com marca no braço, porque tomou sol de blusa.
Já dei duas ideias, dar uma lida no Depois dos Quinze e curtir a Zooey Deschanel nos seus melhores ângulos (isso foi meio "lésbico", mas tudo bem).

Filme "500 Dias Com Ela" na íntegra

Então, sinceramente, espero que você tenha uma história chata de viver, mas boa pra contar.

10/12/2010

Sete Lagoas Piscando

Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, e um alicate de unhas na mãos. Levava um dedo na boca, olhava com muita cautela para ele, para, depois, corta-lhe, de modo desapropriado as cutículas.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.
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