19/09/2013

Ouça Lorde!


Sabe quando antes da maioridade você percebe que tem gente mais nova que você fazendo muito mais sucesso e tudo o mais? Então, é esse o caso que vim apresentar. Como sempre, é no mundo da música. Mas há uma diferença aí!

Isso mesmo, dessa vez estamos falando de música boa, de reconhecimento merecido! Ella Yelich-O'Connor, ou, artisticamente, Lorde, é uma cantora neozelandesa de dezesseis anos que lançou esse ano seu primeiro álbum, The Love Club, cujo qual já tem dois videoclipes: Royals e Tennis Court. Lorde já foi comparada com Lana del Rey, Florence, Adele, Sky Ferreira e Ellie Goulding. Ou seja, repito que estamos falando de música boa.

Não bastando, ela alcançou a primeira posição na New Zealand Singles Chart com "Royals" e já figura em sua sexta semana na parada alternativa da Billboard. Esse mês será lançado seu novo e primeiro álbum de estúdio, chamado "Pure Heroine". Ah, e não vou citar a beleza simples porém estonteante dela, até porque, devo dizer que estou viciado em Royals.



E você, o que acha?

(Ps- Algumas informações foram copiladas da página Lorde Brasil, que merece os créditos pelas tais)

14/09/2013

Parceria & Novidades Suborn It + Conspiração Vital

Eu havia planejado fazer esse post semana passada mas, como minha vida é uma bagunça, acabei atrasando tudo. Espero ser desculpado por isso hsausuha.

Mas enfim, venho por meio desta informar que o Conspiração Vital fechou mais uma parceria! Dessa vez, com a Suborn It, uma loja online divina que, sério, acho digno vocês gastarem alguns minutinhos da vida de vocês conhecendo-a. E por quê?

Além do site e do logo da loja serem lindos de morrer, a proposta da Suborn It é a seguinte: sabe aquelas roupas que a gente vê e pensa "Caralho, eu necessito ter essa roupa!"? Não, pera, não existe dessa roupa em loja nenhuma. Só no Tumblr e no We heart it mesmo. E no Face daquela hipster popular que mora naquela cidade tão no escafundó que ninguém se importa se existe.

Pois então, são justamente essas roupas que a Suborn It trás até nós! Se não houver da roupa desejada no estoque, inclusive, você pode encomendá-las.

Não bastando, em breve a loja realizará show rooms mensais para mostra de seus produtos e a dona carinhosamente cedeu um par de vouchers para que pudéssemos sortear aqui no blog! Para quem não é de São Paulo e não puder ir ao show room, pode converter o voucher em desconto nos produtos da loja! Postaremos mais informações sobre isso em breve.

Enquanto isso, apreciemos: http://www.subornit.com



Cá estão alguns produtos da loja! Que tal?

08/09/2013

Na rua,



Eu passei
e não vi você.

Eu senti.
Era seu perfume.

Me virei.

Era você
e suas costas largas.

Quando passei por você,
você não me viu.
Nem me sentiu.

Eu esqueci
de me perfumar.

Você continuou andando.
E eu parada.

Se eu pudesse, 
beijaria as suas costas, 
o seu ombro.

Te imaginei sem a camisa.

Você continuou andando.
E eu parada.

Te esfaqueei a nuca
com o meu olhar.

E nada.

Você foi embora.
E eu parada.
E eu calada.
E eu virada.

03/09/2013

Eu queria que você tivesse cachos


Eu queria que você tivesse cachos pra ficar cada vez mais angelical, mas esqueço disso sempre que meus dedos escorrem nos seus cabelos lisos. Eu também queria que você fosse mais alto que eu e até que você fosse mais forte e todas essas coisas que eu sempre coloquei no topo da lista de coisas que me atraem nos caras. Queria que você me poetizasse, que poetizasse tudo. Queria que você tivesse o mesmo humor peculiar que o meu, que é deverás sarcástico e irônico. Queria que você já tivesse assistido os mesmos filmes que eu, que também gostasse de Los Hermanos e tivesse um olhar mais delicado e fosse atraído por fotografia. Queria que você não sacasse de primeira quando eu fico brava. Queria até mudar um pouco suas roupas de vez em quando.

Queria, queria, queria, queria tantas coisas... só que se todas essas coisas mudam, você não vai ser o cara que me conquistou e na verdade eu não quero nada disso não, magrelo. Mas as vezes eu realmente queria que você tivesse cachos.



(somos nós dois na foto sim)

31/08/2013

Auto da cidade parte II

Estou completo, sou demais até para mim. Quero tudo, mas numa cidade onde a idade e o status são tudo o que importa, o tudo é algo apenas inexistente. Em São Paulo não há nada, ninguém nunca é nada. O vazio é permanente, transbordam pessoas mas falta gente. Onde gastar o tempo em uma cidade que não para, que não para de repetir os mesmos erros? A vanguarda é uma ilusão. Verdade é a chuva caindo, são os segundos arrastando os pés. Não quero compartilhar minha eternidade oca com ninguém fora ou dentro deste lugar: não quero me compartilhar com ninguém. Mas também não quero ficar sozinho. Sou único? Mas deuses, por que essa coisa de ser único tem um som tão solitário?
            
Um tambor reverberando no túnel da espera. Espero enquanto o senhor da foice não vem. Não há no que acreditar senão na certeza de que sou tão sozinho como qualquer outro cidadão -- será que isso me torna igual a eles? Estou cansado da confusão do nada. Meu peito murcha ao ver o sol: mais um dia, mais um dia dessa mesma coisa, mais um dia dessa mesma agonia. Agonia de não viver, ser apenas mais um, apenas existir. Afinal enquanto sou esmagado pelo relógio, enquanto sinto na pele cada minuto não vivido e cada ruga que ainda não tive, isso é tudo o que me resta: a plena existência. Depois de tantos meses preso, choro vontade de viver, vontade de ser. Nada mais, não sofrer. Não me irritar nem complicar: só ser, só viver e ser vivido. Ser vívido.
            
Entretanto junto com meu choro de vida choram os piches nos muros há quilômetros de distância. Um preto em pedras cinzas, tudo o que há nesse lugar são esses cinquenta tons de cinza. O grito metropolitano é no muro e em nenhum lugar mais: ninguém bota a cara pra bater nesse lugar onde em um segundo tudo se pode perder. É preciso seguir as convenções, as modas. Entricheirar-se em estereótipos, em rodas. Se expressar em nossos gostos e redes sociais tudo o que queríamos ser, mas deixando sob as vestes a única verdade que poderíamos conhecer. Somos sombras apenas, fantasmas, centelhas. O problema é que só nos daremos conta disso quando nossa carne se tornar inútil, jogada num cemitério como qualquer outro, sob outra construção de pedra -- tudo é pedra -- talvez com uma frase e um ramo de flores. A compreensão só vem quando os únicos que nos desejam são os vermes.
            
Enquanto isso não vem, só resta esperar. Seguir o instinto da carne vez ou outra e, nas horas de ócio, rezar ao deus da minha preferência do momento para que surja alguém que abra meus olhos e diga que eu estava errado. Que me iluda ao ponto de fazer-me acreditar que há algo no mundo em que ainda valha a pena apostar. Choro a vontade de ser ludibriado para ver beleza mesmo onde não há, ter vontade de felicidades instantâneas como se elas fossem tudo. Me entregar e então apanhar, ser chutado de volta a escuridão do caixão seja em vida ou seja em morte. A ilusão é uma sorte.


27/08/2013

Esteriótipos

Meu bem, é o seguinte: não é porque eu sou negra e tenho perna grossa que eu vou dançar um funk, rebolar até o chão e gostar disso. Eu uso roupa curta, mas não vou deixar você passar a mão na minha perna. 

Tenho facilidade de falar sobre sexo, mas não quero ver o tamanho do seu pênis, muito menos dissertar ou falar acerca do desempenho que você teria caso me levasse pra cama. Eu me masturbo, admito isso, e nem de longe isso é da sua conta. 

Eu gosto de escrever, tenho a letra bonita e não vou escrever uma poesia para você dizer que é sua e levar na sua aula de português. Vou toda semana ao salão escovar os cabelos e mesmo assim me aceito, acredita? 

Quando estou afim de um cara dou em cima dele, mas isso não quer dizer que eu vá dar em cima de você também. Se sou educada com você no ponto de ônibus ou agradeço por ter me dado uma cantada não quer dizer exatamente que eu queira ficar com você. 

Sim, eu tomo iniciativa das coisas e gosto de falar em público, mas não precisa achar que eu quero ser melhor que você. Eu torço pro Atlético Mineiro, e não ligo mesmo - de verdade - se você torce para o Cruzeiro. Senta aqui do meu lado, vamos falar de algo que temos em comum.

Antes de achar qualquer coisa de qualquer pessoa, pense se isso não é só um esteriótipo ou um pré-conceito qualquer. O jeito com o qual eu me porto não deve influenciar no tamanho do seu respeito por mim. Antes de ser tudo isso que você vê, eu sou mulher, tenho sentimentos e sou importante; como qualquer outra pessoa que você ama (sua mãe, por exemplo).

Não estou pedido muito, é só o que quer que façam por você também.

26/08/2013

A depender de mim


Sem mais rotinas, quero a minha autonomia!
Sair dessa mesmice, de me preocupar com essa vida adulta sem motivos.
Não, não é fugir das responsabilidades, é fazer o meu caminho, fora desse padrão ignorante que a 'boa conduta' nos impõem.

Quero cada samba de todos os cantos desta terra, vou é me jogar na roda!
Cada paisagem, cada pessoa, cada som será único e te verei em todos eles.
Todas as flores mais raras eu vou descobrir e me perfumar.
Quero todas as musicas da natureza, quero sentir esse mundo inteiro pulsando na minha liberdade.
Sem planos, sem mapas, sem roteiro, será inesperado como a primeira vez que te vi.

Essa é a minha vida e pela a minha lei, a gente vai ser feliz. É isso tudo que vai construir o meu ser, será a minha busca das respostas que nunca tive.

Serão várias alvoradas e crepúsculos de todos os ângulos possíveis. Será aquela água gelada que nos renova de várias fontes, seja do céu ou da terra. De estar descalço e sentir as vibrações do mundo que existe em mim. Cada descoberta, cada aprendizado será de choro e de alegria, de saudade e desapego. E cada sorriso, meu bem, será dedicado a você.

25/08/2013

Corrida pelo inalcançável

Preciso correr pra não ficar pra trás. Tudo aquilo em que me sustentei está se movendo tão depressa que meu chão não é outra coisa mais senão uma esteira. Sem fim. Minhas pernas se cansam, endurecem, adormecem, enfraquecem, mas não posso ceder -- por que não posso ceder? Se eu cedo agora, ainda cedo, meu próprio peso se voltará contra mim e eu cairei. Espatifarei minha cara no chão e continuarei seguindo, um peso morto qualquer acima da esteira, como tantos outros por aí. As centenas de pessoas que antes me seguiam pularão por cima de mim e seguirão em frente em suas próprias corridas para chegar sabe-se-lá-onde -- o Infinito.

Parece tão bobo desse ângulo, vendo o quão parecido sou com tantos outros. O fim da corrida parece tão inalcançável que a resposta mais sábia parece ser apenas se deixar levar, se jogar duramente no solo esperando perder a consciência, a capacidade de lutar, a possibilidade de ver o quão ridícula é essa nossa luta coletiva em busca de um pseudo poder individual. Por que tudo isso importa? Dinheiro, roupas, pessoas, amores, felicidade. Por que tanta competição? Por que tantos obstáculos me impedindo de ser quem eu sou?

Eu não quero lutar. Eu não quero correr. Eu não quero agradar ninguém, ser simpático ou seguir qualquer protocolo. Eu não me importo realmente. Não faço parte de todas essas pessoas iguais, diferentes, não pertenço a lugar nenhum. Alguém deve ter me botado aqui sem eu ter percebido, sem que eu saiba o porquê. Meu lugar não é aqui, disso eu tenho certeza. Amo muitas pessoas e coisas que odeio, amo existir, mas a existência é detestável. Somos todos detestáveis. Eu quero um pouco de tudo, alcançar o inalcançável, mas também quero morrer um pouco. Todos os dias. Para sempre.



18/08/2013

Bum!

Era tanta gente ao nosso redor! Tantos brados! Uma cena tão linda! Não pude resistir e puxei você para mim. Ignorei as brigas nas quais as pessoas ao nosso redor se metiam. "FASCISTA!" gritavam de um lado, "OPORTUNISTA!" gritavam do outro, "SEM VIOLÊNCIA! SEM VIOLÊNCIA!" gritavam do meio. Outras canções e gritos de guerra reverberavam nos arredores do manifesto mas eu me agarrava ao calor dos seus lábios como se fosse a última vez que fosse senti-los.

-- Talvez a gente morra essa noite -- eu disse, ofegante, triste, radiante, exultante. Todos os "antes". Eu sentia todas as coisas ao mesmo tempo como se houvesse uma chama dentro de mim gritando que isso, essa coisa de estar à beira da morte, é o viver de verdade.

Senti a fúria da urgência em suas mordidas. Pessoas nos empurravam. Tudo o que eu ouvia eram zunidos e um bum. Assim... bum! Arregalei os olhos enquanto todos ao nosso redor corriam para todos os lados. Salvem suas peles!, era o grito desesperado de milhares de pés. Iam para lá e para cá e no meio da confusão o perdi.

Outro bum e mais outro. Meu amigo, meu companheiro. O conheci essa noite, fizemos amizade, lutamos juntos pelo país. Não perguntei o nome dele. Não sei qual exatamente era a causa pela qual ele estava lutando ali. Será que ele era amigo ou inimigo? Se sobrevivêssemos, será que ainda lutaríamos um contra o outro? Nos salvaríamos? Ou será que nossos filhos o fariam por nós?

O som da marcha imponente corria em minha direção, ecoando em mim. Corri sem saber muito bem para onde. Nos últimos tempos, em outras noites como essa, vi que há muito mais coisa por trás das pessoas com quem passamos nosso tempo do que imaginamos. Por que eles estavam do lado inimigo e eu aqui? Meus amigos agora eram instantâneos, militantes que me ajudavam ou se uniam a mim todas as noites na defensiva dos rebeldes. Eu resistia com milhares de outras pessoas, porém, sozinha. Como aquele inesquecível beijo de fúria, tudo o que eu podia fazer agora era atacar ou correr.


14/08/2013

Sobre o amor dentro de mim (por você)


Todos os caras que passam por mim são você.
Todos os carros que eu espero passar antes de atravessar a rua estão te levando para algum lugar.
Todos os bebês que vejo são o filho que nós vamos ter.
Cada casal enamorado que se beija na rua somos nós dois... juntos.
Venho andando e tentando não te esquecer em cada esquina.
Penso em você e vejo que mal ganhei, e já perdi.
Eu te desencontro todos os dias, em tudo isso.
Mas esqueço que te tenho aqui dentro de mim.
Suficiente ou não, é o que eu posso viver.
O meu amor, dentro de mim, por você.

11/08/2013

- Alô, tudo bem? Tô bem também, é que



hm, sei lá sabe, só liguei pra dizer que não sei quando volto. As coisas têm estado meio bagunçadas ultimamente e minha cabeça simplesmente não consegue descer das nuvens. Tenho me sentido completamente conectado com tudo e com todos ultimamente mas, sabe, não consigo dar atenção a ninguém. Tenho me distraído bastante, passado horas pra responder as pessoas no facebook, dias pra responder as mensagens que tenho recebido no celular... tenho feito de tudo mas, se for balancear, eu não tenho mesmo é feito nada. To só flutuando, sabe? Deixando a vida me levar, seguindo os ventos, ora cá ora lá. Lembra daquela empresa que eu disse que comecei a trabalhar meses atrás? Tenho crescido bastante lá, tem acontecido tanta coisa... tá tudo uma bagunça e eu to tentando equilibrar tudo bagunçando a mim também. Não sei se cê já passou por isso, sei lá, eu to com saudades daí, mas não me imagino largando esse lugar tão cedo. Sinto saudades daqui também, tem tanta coisa que ainda não vivi e fico um pouco triste quando penso que não sei se é possível viver tudo o que eu quero... se pá é por isso minha insônia. Tenho dormido muito pouco ultimamente, passado dias inteiros cansado mas, simplesmente, não consigo dormir. Vou ter tempo pra isso quando eu morrer. Acho que se estamos vivos é porque é pra viver né, apesar de que ficar na cama por horas é maravilhoso também. A gente sonha com mais facilidade. Mas não tenho precisado sonhar de olhos fechados ultimamente, to só sonhando de olhos abertos e correndo desesperadamente pra descobrir de que são feitos esses sonhos quando eles se materializam na nossa frente. Tenho descoberto que os sonhos são naturais, o que é quase decepcionante, mas o real é muito melhor que o sonho. Vocês deveriam vir pra cá viver comigo, largar tudo o que vocês planejaram e sentir essa coisa que é a vida soprando nosso cabelo em viagens constantes e infinitas. Tenho muita coisa pra contar agora, uma sucessão infinita de histórias mas não adianta o quanto eu as repita, elas jamais serão uma cópia fiel ao que eu vi e senti. Tenho conhecido tanta gente bacana que nem sei mais o que é ódio ou raiva ou frustração, to só amor ultimamente, se eu puder me dar ao luxo de anexar tal qualidade a mim. Ser humano é tão bom... apesar dos obstáculos e limitações acho que deveríamos reclamar menos. Podíamos ajudar mais, parar de cobrar pra fazer qualquer porcariazinha de favor. Ser humano não é isso. Acho que isso é coisa de máquina caça níquel. Mas não acho que eu tenha o direito de achar qualquer coisa, acho que o que as pessoas pensam ou fazem não é da minha conta. Da minha conta é só viver minha vida. É só seguir. E nessa coisa de viver tenho me sentido evoluindo embora eu ache que pensar nisso é um regresso, evolução é uma coisa tão mesquinha e egoísta, é pensar que há algo melhor que outra coisa, e por haver algo melhor há algo pior, algo inferior. E nada é inferior. Desde que decidi seguir tenho sentido que as coisas apenas são. Mas acho melhor desligar né, nem sei mais o que to falando, liguei mesmo era pra dizer que senti sua falta hoje e... cê tá aí ainda? Alô?

09/08/2013

Tempo verbal

Queria te encontrar ao acaso num domingo ensolarado. Eu te miraria de longe, feito uma felina escondida; até você retribuir meu olhar cheio das segundas, terceiras e quartas intenções. Eu te mostraria minhas presas de predadora, e você retribuiria o seu sorriso de presa indefesa. Penetraria o seu olhar com o meu, te deixando imóvel, hipnotizado. Caminharia na sua direção, e quando estivesse próxima o bastante saltaria em cima do seu corpo relativamente pequeno e usaria as minhas garras para finalmente te capturar no meu abraço. 

Quando te abraçar, verei que na verdade o predador é você - que usa seu braço para me algemar a cintura - e que seu sorriso de presa na verdade, é mordida de animal feroz. Rasgará meu pescoço afora, e eu sentirei todos os pêlos do meu corpo arrepiarem em ritmo frenético.

Usarei as minhas garras novamente, para te apertar ainda mais a nuca e tentar reverter aquela situação. Você me apertará ainda mais - agora com os dois braços - e por pouco eu ficaria sem ar. Descerei as mãos da sua nuca, passando por seus braços, e grunhirei: "Tudo bem, você ganhou!". 

Verei contentamento nos seus olhos que, por tantas vezes, eram puro mistério para mim. Você usará sua boca para aprisionar-me a língua, os lábios, e consequentemente, a mim mesma. Não relutarei mais. Agora as minhas garras apenas puxariam suas roupas para que o ergástulo fosse finalmente consumado. Você me predou.

Depois só vou querer escrever sobre você. Criar situações para que você as viva comigo. Te cobrir de metáforas, de palavras difíceis. Quem sabe até usar os verbos num tempo feliz... Pelo menos uma vez esbarrar com você no tempo presente. Na verdade, queria mesmo é que nossos sorrisos se esbarrassem.
Aí sim.


06/08/2013

Inferno

É o ruído do metrô, a vibração do ônibus, a convulsão da minha cabeça, são gritos, sou eu. O inferno. É a queimação do que eu poderia transformar em racional, do que eu poderia transformar em surreal, do que eu poderia transformar em felicidade. É me vomitar para dentro e sufocar em todas essas noites solitárias. Desejar a sombra que me tortura enquanto luto para me libertar dela, ir em direção a um horizonte límpido e desconhecido sem um porquê. A sombra é conhecida, a escuridão é desde e para sempre presente, o breu é a segurança.

Eu agonizo, eu danço como um satanista dentro de mim, a morte nunca chega. Nada nunca chega. O terror é infinito. O inferno. É aqui. Meu pecado amargo. A dança voluptuosa da dor, as luzes apagadas por trás dos meus olhos. Dormir para sempre. É isso. O inferno. Dormir para sempre: acordado. Nunca estar ciente o suficiente, ciente o suficiente para perder a razão. Para ser máquina como qualquer um, ser feliz, ser massa, ser massa infeliz. Eu tenho que correr -- para quê? -- correr até o fim que nunca chega correr desesperadamente correr pela minha vida e se tropeçar e me despedaçar e cair mesmo assim devo correr e correr mesmo que me esfole devo correr mesmo que eu me torne carne viva correr devo correr porque tem algo atrás de mim correr nunca parar de correr correr é para a vida para correr tentar achar essa coisa correr essa coisa que chamaram de viver essa é a resposta correr para tudo correr e correr até morrer e mesmo assim continuar correndo. Correr. Nunca parar de correr. Tem algo atrás de mim -- mas o quê? Devo correr, só sei disso.

A qualquer momento os demônios podem me pegar ainda mais terrivelmente do que já pegam -- o quê? -- correr correr sem pensar só isso correr correr na escuridão ser torturado sem se submeter à tortura correr até enlouquecer porque só assim se chega a algum lugar correr corra do zumbido, corra, corra, esse eco, essa voz que me diz pra fazer alguma coisa com essas pernas, ser alguma coisa com essa capacidade de ser alguma coisa, pega esse eco e corre pra salvar -- o quê? Correr. Chorar oceanos de lágrimas no meu breu enquanto sapateio e acima de tudo corro, morro, mas continuo mesmo na miséria intelectual financeira emocional miséria total, correndo mesmo após a percepção do tamanho da minha mediocridade que nem é tão maior que a dos outros assim. Mas eu choro enquanto corro e corro enquanto choro porque não quero ser devorado não quero ser devorado como qualquer um e virar massa no estômago do monstro correr é isso que devo fazer correr e a resposta está aí. O ciclo eterno. Correr para sobreviver, nunca chegar a lugar nenhum. Correr, Morrer.


04/08/2013

(Parênteses)


Estou aqui sentada, contabilizando todas as vezes que quis passar na sua rua para ver se te encontrava (usando o meu short curto). Quis, quis muito, mas não passei. Me contento com a rua paralela, olhando pro seu quarteirão do meu lado esquerdo, toda vez que volto para casa (grande coisa...).

Admito que há algo dentro de mim que grita insanamente para que eu te procure. E diga: "Ei, te quero (dos pés à cabeça, todo o seu corpo, sua boca me mordendo, me beijando) pra mim!".
Há algo em você (tudo, na verdade) que me faz ter vontade de nunca mais sair da ponta dos pés. Quero alcançar sua boca, quero te abraçar pela nuca ("cê" sabe, sou baixinha).
Há algo entre nós que eu nunca vou saber o nome. Denominarei paixão (tesão, tesão!).
Há algum lugar no qual nos encontraremos. Haverá um tempo para isso (que é "nunca", só pode).

E aí sim te explicarei de todas as minhas fases (porque como você mesmo disse, sou complicada e perfeitinha). De tudo que passou na minha cabeça quando estávamos juntos. O que ainda passa quando sinto seu perfume (você, você, e mais um pouco de você; de todos os ângulos possíveis).

Fico pensando nessa força maior que fez com que naquela tarde meio louca eu te conhecesse; depois nos unisse feito dois imãs de segurar papel e agora contribui para que nunca mais eu te encontre... Deve vir de Deus, só pode (tomar no cu, viu)

Mas talvez seja melhor não contabilizar. Nem pensar. 
O fato é que te quero dentro dos meu parênteses (porque no coração, você já está). Quero beijar, estar com você; quero te pegar sóbrio (e te embebedar com a minha saliva). Quero literalmente matéria entre nós dois (porque meus pensamentos e imaginação são todos seus, todos eles). Quero você fisicamente (e quimicamente) falando.  

Vem cá, vem gostar de mim também (ou melhor, só me leva pra você). Me deixa te abraçar com os meus parênteses.

imagem: pinterest

31/07/2013

Sobre encontrar o amor da nossa vida

Ouvi dizer por aí que pessoas que começam a namorar mais tarde têm casamentos mais duradouros e felizes.  E isso não está errado não. Às vezes nós amamos rápido e demais. Desconhecemos - esquecemos - que coração caleja, coração peleja; e depois é difícil amar de novo. Dói. (Confiança? Nunca mais sente nem cheiro!)

Nós amamos do jeito certo o amor errado. Por isso que depois vem outro. Daí são duas as opções: ou sana tudo, ou enfiam o dedo na sua ferida em carne viva - e sim, a segunda opção é mais provável. Então, mesmo que o meu coração seja desses feios de tanto calo, eu prego o clichê de que nunca é tarde para amar. E completo: não tenha pressa, ele chega. 

- Mas Ceres, eu já amei tanto, e agora? Sou um caso perdido?

Olha, boa pergunta. Eu também não sei. Passei da fase de fazer listas com o nome de um por um, mas isso não anula a existência desse exército na minha vida (ou será um batalhão?). Bom, de qualquer forma, eu acredito que o segredo seja não desistir. Poxa vida, termos adiado o amor da nossa vida não faz com que ele não exista. Debaixo de tanto calo tem a lava fervente do amor! Sempre terá! E o melhor: vai ter quem queira nadar nela. 

- Gente, isso é sério? Eu amo alguém! O que eu faço?

Simples. 
Diz. 
E espera. 

- E se der errado?

Desespera.
Mas relaxa, que a gente sempre se recupera.


imagem: pinterest

29/07/2013

Escolhas


"Entristecedora" é uma palavra com uma sonoridade doce e não é uma pena que ela seja sobre a tristeza. Existe um pesar para falar sobre a tristeza e acho este, um senso comum desnecessário. Acho a tristeza bonita também. Acho, que valorizamos tanto ser feliz que a tristeza vira uma coisa ruim e não precisa ser assim. Ser feliz é ótimo, mas ser triste pode ser lindo também.

A tristeza é necessária também e a forma que lidamos com nossos sentimentos é puramente pessoal, cada um se transforma e redireciona suas emoções em diversas formas e caminhos diferentes. É bom se lembrar que é sempre uma questão de escolha, e que até a felicidade em excesso pode fazer mal como a tristeza. O perigo está nos excessos, mesmo quando ele parece não existir.

Somos como imãs, atraindo sempre coisas de diversas naturezas e extremidades, as vezes imperceptíveis até elas nos engolirem e mostrarem sua força. O que você atraiu pra sua vida e manteve, e o que repudiou são só as escolhas que fez.

27/07/2013

Torre de marfim

Eu deveria perder menos tempo escrevendo livros e mais tempo escrevendo testamentos. Muitos anos perdi tentando me livrar do fantasma dessa dor e transformar tudo em arte. Minha vida, meu redor, meus sentimentos e pensamentos. Tentei dar beleza a esses tormentos. Infelizmente, porém, nem os melhores dos recursos escondem quando um artista é demasiadamente ruim. Pintei com cores e palavras bonitas e nem por isso a depressão teve fim.

Essa arte malfeita é tudo o que me resta agora. Preso na escuridão, esse negro da tinta é minha caneta que chora. Não adianta enfeitar as coisas quando nossa vida não melhora. Rodei, rodei e tudo continua igual. Sozinho em casa, permito que dos meus olhos minha língua experimente o sal. Deixo tudo escorrer enquanto ainda não posso correr. Ou morrer.

Muito eu falei e bradei mas com o tempo já me esqueço novamente o porquê de estar aqui. A arte ainda não tem um sabor muito mais doce do que outras mentiras que já ouvi. Talvez seja para combinar comigo essa amargura. Logo eu que em delírios de desespero desejei provar alguma coisa pura. Acho que a pureza é mesmo assim feia e por isso tanto essa angústia me incendeia.

Agora que eu finalmente alcancei o dom de ver a beleza na alegria e na tristeza, vejo que isso não basta. Não me trouxe nada além de lembranças e farsas. Mas eu demorei tempo demais para ver o quão ridícula é essa minha razão de viver -- não menos ridícula que qualquer outra. A quantidade de bens que pode me fazer é pouca. Na melhor das hipóteses me tornarei apenas mais um louco exilado, numa torre de marfim, ilhado, por tudo e por mim.

Me chateio com os deuses. Me sinto uma pessoa boa e não consigo imaginar o que fiz em meu destino que me tornasse merecedor de toda essa solidão, ou, pior ainda, da longevidade dessa minha visão. Eu não queria saber antes de tudo o que iria acontecer. Nem poderes para mudar as coisas eu pude ter -- se tivesse, talvez o futuro eu não soubesse. Me sinto único, mas não de uma forma atraente. De que serve isso no meio de tanta gente? Por que este mundo então, se não me é dado o direito de ser como qualquer outro? Devo abrir mão de tudo o que sei e me alienar como todo mundo faz? Ou, essa bagunça que sou, é um sinal de que devo de fato ir pra minha torre de marfim, cuidar só de mim, ir em busca da paz?

Se assim o for, não sei de que me adiantou tanto ver ou pintar o belo do mundo se, passado esse calor, não poderei o ter e minha alma escreverá mais um livro que permanecerá mudo, no meio de tantos outros, imundo.


24/07/2013

"É o meu sonho."



- Alô?
- Oi meu amor!
- Tudo bem?
- Sim, e com você?
- Que bom! Estou bem, mas sinto sua falta.
- Eu também! Como foi seu dia?
- Foi ótimo, pensei sobre aquilo que você me disse.
- Pensou mesmo? E o que resolveu?
- Eu quero, mais do que nunca, que fiquemos juntos.
- Meu Deus, você não sabe o quanto isso me faz feliz!
- Eu também estou!
- Vem cá, você viu a Lua hoje?
- Sim, estou olhando para ela agora.
- Eu também...
- Sabe, às vezes eu sonho que estou entrando na sua casa; mas nunca te encontro. Acredita?
- Vai ver que a gente se desencontra, porque eu estou aí te guardando a noite toda.
- Estamos tão perto um do outro, existe mesmo a necessidade de esperarmos por nossos sonhos?
- Concordo com você... Me espera no portão?
- Você vai vir me ver?
- Não quero aguardar até conseguirmos dormir para te encontrar.
- Então vem, me encontra agora.
- Deixa eu me deitar aí, e sonhar contigo?
- Claro... É o meu sonho. Vem ver a Lua daqui, comigo.

23/07/2013

Literal - mente


Fecho os olhos para poder te ver melhor. Me cubro com aquele cobertor velho para finalmente te sentir debaixo dele. Uso das minhas próprias mãos para ter o teu carinho. E ali fico te amando, por horas a fio.

Me desvencilhei de você fisicamente, mas literalmente, meu coração está contigo. Sinto seu cheiro independentemente da sua vontade. Sinto você - mais da minha metade. Meu amor, meu amor é alheio à você. Ele é literal, mas só aqui. Só comigo, só para mim.

Nunca saberá o que eu existo de você aqui. Jamais saberei o que por mim habita em ti. 

Fecho os olhos novamente e vejo tua pele, tuas cores, tuas coxas, teus pés. Os abro e ouço promessa por promessa, gargalhada por gargalhada, meu nome no teu timbre, no teu tom, no teu ritmo; no meu contratempo. 

Me abraço e desapareço nas minhas próprias mãos, desfaleço no meu próprio cárcere. Sinto o cheiro da nossa carne. Do nosso suor. Lembro-me de onde escondi o resto do pudor que havia em mim (dentro de ti).

Meu amor é literal. 
É fogo, é dor - em mim.
É o resto do que não faz falta - sou eu.

20/07/2013

Por que você não volta, Júlio?

Nós demos a corda a eles e como numa ópera eles a enroscaram no próprio pescoço. Um julho sangrento, um Júlio sangrento, um Júlio suicida. Eu poderia culpar as drogas que você usava, eu poderia culpar as drogas que você traficava, mas eu saberia no meu pequeno pedaço fantasma, o pedaço de você que continua em mim e que permanecerá eternamente de luto, que isso não seria bem a verdade. Eu ainda saberia que fomos nós que o matamos.

Por alguma razão eu tive medo de me aproximar enquanto ainda havia tempo, por alguma razão eu apenas fiquei escutando de fora, atuando em um cenário próximo, vez ou outra ouvindo um eco que chegara do seu campo de atuação ao meu. Vez ou outra eu via uma fotografia sua, notava que eu estava ficando mais alto, notando que eu estava ficando maior; só não notei que enquanto eu crescia, você diminuía. Você definhava enquanto aparentava estar melhorando. Oh Júlio, por que tiveste que ir agora? Haveria algum sinal nessa sua partida repentina, nesse choque que você supostamente escolhera deixar para trás?

Eu queria que você tivesse me procurado. Não para dar um aviso, não para alertar sobre uma possível viagem a um negrume desconhecido; queria que você tivesse me dito apenas o que estivesse sentindo. Eu queria ter sido seu amigo, pois me agoniza pensar que posso ter sido um dos móveis no seu quarto que apenas assistiram à sua queda, eu me sentiria melhor sendo o papel ao qual você confidenciara suas últimas vontades ou o último caixão de madeira ao qual você repousara. Talvez eu gostaria de pensar que posso ter sido seu último amigo.

Mas esse é o único problema da morte: notarmos o que poderíamos ter feito e não fizemos; imaginarmos quais foram os últimos pensamentos, as últimas sensações, os últimos sentimentos do corpo enquanto ainda vivo; pensar em quanto tempo será que se passaram os últimos segundos, como fora que as engrenagens pararam de funcionar de repente... e o simples fato de imaginar já pára tudo. As coisas se movem mais devagar e a gente fica sem reação, como se a nossa parte que pertencia àquela pessoa tivesse levado um choque e instantaneamente apreciasse uma inconsciência enquanto o corpo permanece de olhos abertos. Todo o resto entra em processo de luto.

Júlio, meu caro, você parece ter tocado as mais profundas proporções às quais o que vive dentro de mim é capaz de chegar. Feche seus olhos e permita que as minhas profundezas toquem as suas e sintam a coisa em que se tornou, se for uma coisa. Se não for, me mostre como é essa luz ou essa escuridão na qual você vagueia, a menos para que eu saiba que mesmo morto você ainda vive bem. Sei que não foi você quem lhe matou, mas Júlio, se passares por mim em algum momento nessas grotescas entradas do multiverso, por favor, me pare nem que seja para um cumprimento, nem que seja apenas para um "oi". E, quem sabe, nosso espíritos poderiam pela primeira vez tomar um drinque juntos!


[ Nota: Já pensei inúmeras vezes em me matar e conheço outras pessoas que idem. Dois anos atrás, especulava-se que a Amy (Winehouse), morta em julho, haveria se matado; no mesmo mês do mesmo ano, um garoto da minha escola também se matou. Recebi a notícia de ambos na mesma noite e foi um choque. Alguns dias depois escrevi esse texto. Espero que eles estejam bem e que nós sejamos humanos menos miseráveis, tornando o mundo um lugar melhor e dando motivos para que as pessoas queiram viver e não morrer. ]

17/07/2013

Despedidas Sinceras

Que sigamos em frente então, cada um com o seu caminho.
Poderíamos sonhar juntos, mas viver é algo bem independente quando se vive intensamente. Logo, que cada um viva o seu, para compartilhar o nosso, entre nós, com todos, que seja. Sejamos livres mas que saibamos a estrada de volta.

Vamos ver outros lugares, respirar novos ares, se banhar em outros mares. O mundo inteiro é o nosso limite! Ou não. A lua me parece um bom lugar para se conhecer... Mas cada experiencia tem que ser intensa, única, bonita e cheia de aprendizados. Essa é a minha condição.Que sejamos felizes, tristes. Que não queiramos voltar pra casa e tomara que a gente sinta saudades.

Sei que nossos destinos vão se cruzar nessa longa jornada. Espero que depois, cada um conte suas aventuras, dai a gente começa uma nova historia.

Viver de verdade é assim: com momentos incertos, com diferentes sabores.
Te peço que de vez em quando possamos nos encontrar, ficar deitados juntinhos. São esses momentos que eu afirmo para mim mesma que te amo. E amor é isso, é compreender que as pessoas são livres. É dar liberdade ao outro.


"Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha e por isso terei você para sempre."
11 minutos - Paulo Coelho


16/07/2013

Renovando



Só estou tentando registrar todos os gritos abafados do coração e da alma, porque são sinceros. E sentimentos sinceros são dignos de serem lembrados, mesmo que a camada de orgulho (ocasionalmente ferido) costume não deixa que as lembranças felizes fiquem. E então percebemos que é necessário esvaziar um lugar para preenchermos outro. Você pode sentir uma coceira de lágrima nos olhos quando perceber isso, mas lembre-se que é necessário quando acontece. E sincero.

Então não se assuste: esse é só o renovar da vida.

13/07/2013

Bêbedo de ilusões

Ainda ontem abracei a escuridão e vi uma dança de ilusões. Era tudo tão mísero e belo, no ritmo certo, que eu me envolvi. Tentei apenas contemplar mas ao final eu já era mais um dos dançarinos iludidos. Vivíamos tentando convencer aos outros da mentira que dizíamos que éramos e acreditávamos na mentira dos outros também. Fora daquele breu, ninguém brilhava realmente.

E talvez por isso eu preferisse viver nesse lugar escuro para que pudesse ver as coisas irradiando de vez em quando. Um show de falsas belezas todos os sábados, qual o problema disso? Talvez eu devesse adequar às minhas sextas também. E quintas. E à semana inteira. Eu deveria mesmo é viver bêbedo para jamais ver a infelicidade das tardes comuns. Ter meus olhos sempre vermelhos de alegria.

Eu seria definitivamente popular. Todos adoramos essa gente bêbeda de fantasias, vivendo milhares de histórias e inventando outras milhares. Algumas nem dá para saber a que hemisfério pertencem. Talvez assim todo mundo gostasse de mim, e se não gostasse, ao menos me conheceria. Eu já não seria qualquer um. Eu seria uma zonzeira perdida na noite, sempre visto abaixo das estrelas como que abençoado por elas. A noite seria meu chapéu e a festa minha vida.


11/07/2013

Sobre ser e estar


Together é junto
Junto é o que eu quero
E o que eu quero é together a você
E você together a mim
Pois juntos podemos be psychos
E be psychos é ser maluco
E ser maluco é bom together
Porque juntos podemos
E só podemos be psychos se for together.

Togethe-se a mim

#10on10 julho: Borboletas e música

Olá conspirandos do meu Brasil! O 10on10 desse mês saiu dia 11. Atrasado, para variar. O tema que escolhemos foi "Borboletas e música". Pode parecer que não tem muito a ver uma coisa com a outra (talvez nem tenha), mas são duas coisas que juntas ou não são a maior expressão de liberdade, fluidez, de beleza. Vocês concordam?

Bom, quero deixar claro que me diverti à beça fotografando isso, e que foi extremamente nostálgico. Tomara que gostem.


Esse é o CD Dez de Dezembro, da Cássia. Eu acho essa foto do encarte maravilhosa. Pra quem não sabe, esse bebê é o seu filho, Chicão. A música é "No Recreio", uma das muitas do Nando que são as minhas preferidas, e que ela interpretou. Quer mais amor que isso? Vale a pena ouvir.

Quem me presenteou com esse CD foi a Luisa, uma amiga de anos, no meu aniversário de 16. 


Falando em tempo, comprei esse brinco quando eu tinha 14 anos, aqui em Sete Lagoas. Exatamente nesse dia aqui. Sim, eu escrevi um post sobre esse dia em 2009, e morri de saudade. Séculos que eu nem mexia com ele.


O Teatro Mágico é amor pra mil vidas inteiras! Esse é o trecho da música "Pena", perfeita pra dar aquele up    naquele seu dia borocoxô. 


Mais uma do encarte do CD da Cássia.


A saudade foi tanta, mas tanta, que eu acabei colocando o bendito na orelha... E não é que eu gostei?


Apresento-lhes José Carlos, ou Zequinha, se preferir. O presente mais lindo que meu avô me deu, porque eu fui a unica neta que também pegou o violão para tocar. Aliás, aceito doação de um acordoamento novo. E aulas para afinação também. 


"All Star" é a música da minha vida, sempre será. Foi a primeira que eu aprendi no violão, e eu nunca mais esqueci. Tenho um vídeo tocando ela no facebook, já ouviu? Mas é como eu já disse, preciso aprender a afinar o violão. Tá valendo, não é?


E eu sofri


- Eu vim correndo, porque precisava te ver.

Chovia muito. Eu estava com o vestido, os cabelos e o sapatos encharcados. Você abriu o portão, e me olhou estarrecido.

- Meu Deus, entra.
- Não.
- O que está acontecendo?
- Eu te amo.
- O que?

Eu abraçava meu próprio corpo, sentindo a água escorrer pelo rosto, me impedindo até de abrir o olhos e falar com clareza. A única luz que havia ali era a do poste. Amarela, fraca. Piscava. Por ter subido a sua rua correndo, além do coração que saltava e a sensação forte na boca do estômago, eu mal respirava. Fiquei os olhos fechados por uns segundos, para ver se a aflição passava.

Te olhei e você estava boquiaberto, com as mãos apoiadas no marco do portão, as sobrancelhas arqueadas, os olhos em mim. Comecei a sentir uma certa vergonha por ter feito aquilo. Queria que algo me tirasse dali, e que eu simplesmente estivesse em casa. Mas não é do meu feitio deixar as coisas pela metade, então...

- Você entendeu. - eu disse, com certa veemência.

Nos olhamos por algum tempo. Você titubeou, parecendo que não sabia o que fazer com aquele 1, 59 de pura loucura. Mas veio na minha direção, desceu o meio fio e me abraçou por cima dos meus braços. Senti o quanto estava quente, e me lembrei de como gosto do seu cheiro. Depois, nós dois estávamos frios, molhados. Passei meus braços em sua volta. Encostei minhas têmporas no seu peito, mas não ouvia nada ali. Era só meu coração que sambava, duro, dolorido dentro do meu peito. O seu, era silêncio. Estremeci.

Usando as duas mãos, você levantou o meu rosto e me olhou dentro dos olhos. Mas esse olhar foi facada, não consegui retribuir. Eu não via o que queria nos seus olhos. Tentei te fitar, mas desviei. Senti você me beijar a testa, e me abraçar de novo. Depois senti a barra do meu vestido levantar. A chuva havia parado, e ventava frio.

Você me libertou do cárcere do seu abraço, e eu sofri. 

- Vem cá, deixa eu te levar pra casa. Tá tarde.
- Tudo bem.

Seu braço veio por cima do meu ombro da sua casa até a minha. Vim arrastando os pés, e senti que havia deixado um rastro de sangue por onde passamos. Quando fomos nos despedir, ainda via aquela pontada de misericórdia nos seus olhos, e desviei outra vez.

- Se cuida, fica bem.

Esbocei um sorriso, e entrei sem dizer mais nada. Nada mais que eu quisesse.

10/07/2013

Recompensa

Estava minimamente refletindo sobre a atual conjuntura da minha vida e consegui enxergar apenas uma coisa na frente do meu nariz: você. Isso me preocupa profundamente, porque me avassala como qualquer outro vício vil. Tanto que eu poderia dizer que estou - finalmente - apaixonada e que de novo estou vivendo essa coisa toda sozinha.

Tudo bem que dizem por aí que quando uma garota (ou mulher, se achar que sou uma) leva uma rasteira de um primeiro amor, ela absorve, toma como aprendizado e nas próximas vezes é tranquilo... Mas no mínimo, quem disse isso é alguém que está numa órbita qualquer, porque todo mundo sabe que as coisas não funcionam assim. Sinceramente, essa coisa de ser "tranquilo" demora pra acontecer.

Venhamos e convenhamos, é tudo uma merda. Tudo dolorido. Mas né... estamos por aí para isso mesmo. Para que as borboletas no estômago, as vezes que os olhares se cruzam, todos os textos de amor, todos (dos poucos) beijos, pra tudo valer a pena. E todo resto vale. De verdade.

Por que do que adiantaria a vida se não há pelo o que sofrer? Ela mesma faz questão de nos recompensar pelo esforço, é papel nosso querer enxergar isso. Você sabe do esforço que falo... lutar contra o orgulho de não querer tomar a iniciativa, o velório do amor próprio quando procuramos a outra pessoa, o egoísmo de querer "só pra mim, como as ondas são do mar." É assim mesmo.

Só tenho a certeza de que, se esse amor é certo, um dia irá vingar. Se esse amor é certo, simplesmente não haverá outro depois. 

E a vida nos recompensa assim: nos deixando vivos para viver. Para ver o que vai acontecer.

imagem: Pinterest

08/07/2013

... todo você.


Se me perguntarem como chegamos ali, eu simplesmente não conseguiria responder.

As luzes eram amarelas e médias, havia uma almofada branca enorme meticulosamente colocada no centro do recinto. Olhei todas aquelas paredes de tecido, os galhos do lado de fora... estávamos no alto. Numa casa na árvore. Você foi fechando todas as janelas e a espécie de porta que havia ali. Eu me sentei por cima das pernas, e fiquei te observando. Eram duas janelas, e quando você fechou a primeira e ia para a segunda,  virou-se para mim apenas para que eu pudesse ver seu sorriso, sua boca e quisesse te beijar ainda mais. Morder seus lábios, seu queixo...

Consegui parar de pensar quando você, fechando a segunda janela, veio na minha direção. Nós nos olhávamos demasiado, passeando o olhar por todo o corpo um do outro. Você sorria com malícia, enquanto tirava a camisa. Eu caí de lado na almofada, rindo daquele jeito que eu já te expliquei que é por não conseguir exteriorizar o que eu sentia.

Você veio andando ajoelhado, me levantou com veemência e me beijou devagar e docemente. Coloquei os meus braços em volta do seu pescoço, te apertando a nuca. Você puxou a minha blusa devagar e a subiu, até que ela passasse por minhas mãos, acima das nossas cabeças.

Fui sentindo seu abraço mais e mais forte, e a muito tempo não me sentia tão bem com tão pouca roupa. Nos deitamos naquele mar branco (mar sim, porque não conseguia ver mais nada além de você), eu te senti e você me sentiu em cada milímetro de nossos corpos. Às vezes eu sentia seu pés, sempre sentia seus braços, seu peito, sua boca... Ficava com a mão direita na sua nuca, passando no seu cabelo, e arrepiava inteira quando você passava seu queixo pela minha clavícula para me beijar o pescoço.

Senti você me apertando por cima da minha escápula, e me segurei em você com os braços e as pernas. Nos viramos, e agora eu podia te ver inteiro. Todas as suas marcas, pintas... todo você. Estava sentada no seu quadril, e me curvei para poder te beijar de novo, mais uma vez, e mais algumas. 

Você veio passando os seus dedos indicadores, médios, anelares e mindinhos por minhas costas, e os polegares pela minha barriga, desenhando a minha cintura. Nos olhávamos como os mais apaixonados dos cúmplices, enternurados. Me deitei em você, pra te sentir inteiro de novo. 

Abri os olhos e olhei para fora. O sol das oito da manhã entrava meu quarto afora. Eu estava envolta do meu cobertor xadrez. Suspirei. 

Me levantei para escrever sobre o meu sonho, porque aí o eternizarei.

05/07/2013

Tudo (a Fantasia)

Todas as rosas que não tive a oportunidade de lhe dar, todas as garrafas de vinho que tomamos antes de nos entregarmos aos lençóis. Todas aquelas noites em que paramos e ficamos olhando pro céu enquanto você dizia que a lua estava nos sorrindo como o gato de Chesire. Todas as canções que não tive tempo de lhe dizer que eram nossas. Tudo isso nos pertencia e nós nos embriagamos com apenas uma fração desse amor, desperdiçando todo o resto como se fôssemos ricos em sentimentos. Agora, de ressaca, vejo que somos apenas miseráveis. Mas um dia nós tivemos tudo.

Juntos, éramos poderosos e mais que tudo fantásticos. Poderíamos ter tido tudo o que quiséssemos contanto que permanecêssemos unidos. Eu conheceria milhares de cidades com você para vivermos as mais loucas aventuras, para estarmos em todos os lugares, para preencher cada pedaço do mundo com o nosso amor. Eu mostraria a todos nós dois e as nuvens seriam nosso altar. Enlouquecido pela ingenuidade, eu não pude ver que a fantasia é algo além das coisas belas -- e quando uma antiga sina saiu de dentro de você brigando no vazio contra algo dentro de mim, minha alma esteve em prantos por uma eternidade.

Agora estou sozinho, caminhando por todos os lugares que eu pretendia dividir com você. Ganhei o meu território e você o seu e mesmo assim tudo me pertence. O gato de Chesire ainda sorri para mim, as rosas ainda florescem nos jardins e o mundo não parou de acontecer só por causa do nosso amor falecido. Séculos se passaram enquanto eu sofria o luto da sua morte, embora eu tenha morrido também. Nós tínhamos tudo, mas não éramos tudo. O tudo continua, sempre em frente, por si, e agora eu luto para agarrá-lo e prendê-lo a mim. Quero o tudo como um troféu. O glamour, a beleza, os sonhos, as nuvens, as noites, os dias, as lutas, as alegrias, os sofrimentos, qualquer coisa que beire o fantástico agora me pertence. Nosso amor talvez tenha sido uma ilusão, mas não foi a única do mundo... e agora as ilusões são os lábios que perseguirei como eu sempre deveria ter feito. Todas as fantasias agora me pertencem -- e eu as abençoarei em cada passo que eu der.




04/07/2013

Vem!



Vem me buscar.
Fazer-me sorrir com os olhos,
calar-me com seus lábios,
desaparecer com meu corpo nos seus braços,
me deixar escorrer com teu suor.

Vem, e me perdoa.
Eu fui boba,
deixei minhas roupas...

no meu corpo.

Já disse, você me atordoa.
Me tira o ar.

Mas vem.
Só vem.

A direção é pro meu lado.
O caminho é meu.
A rua é minha.
E eu a ladrilhei só para você passar.


Assinado Eu by Tiê on Grooveshark


02/07/2013

Domingo


Era domingo.
Umas duas horas.
Quando eu cheguei só tinha a mesma sensação de quando saí de casa: algo vai acontecer.
Mas sabe quando a gente nega isso?
Você foi a primeira pessoa que eu vi, e também neguei a sensação de que você faria a diferença pra mim um dia.
Só intuição, só intuição!
Fiquei naquela coisa de me manter no seu campo de visão, me exibindo feito pavão.
E quando assustei, você também se mostrava para mim.
Foi ai que aquela sensação subiu do estômago.
Vomitei sorrisos correspondendo os seus, e te olhei nos olhos quando tirou o óculos de sol.
Meu Deus, pensei. Quero esse cara para mim.
A sensação percorreu todos os músculos do meu rosto, e depois desceu corpo afora.
É... ele fará a diferença.
Mexemos os pauzinhos e providenciamos um beijo.
Sentei do seu lado e cruzei as pernas, que você fitou demasiado. E eu adorei. Sua visão era calorenta.
Você era calorento.
Reparei seu nariz, sua boca... e você também reparava em mim.
Sorríamos. Até eu, com meus dentes tortos.
Nós não nos desgrudamos mais, e eu nunca quis perder essa sensação de te ter comigo.
E ela era enorme. Virou tudo, todo mundo, eu...
Que bagunça você fez!
Cheguei ao patamar de te olhar e querer um filho seu.
Tivemos um, acredita?
Nos casamos depois.
Fomos felizes.


Era domingo, afinal.
Umas duas e meia, três horas.
Eu sabia que tinha algo pra acontecer, e fiquei louca querendo saber o que era.
Te vi, te quis.
Te quis.
Te quis.
Meu Deus, como eu te quis!
Não neguei a sensação.
- Oi, tudo bem?
- Tudo, e você.
- Também!
Continuei não negando.
E você não ligando.
Talvez assim seja mais seguro, pensei.
E foi.


Só sei que o resto da semana vi suas fotos e meu coração deu um triplo mortal twist carpado para trás.
Aconteceu com tanta frequência que já me acostumei.


Era domingo, de novo.
Eu estava sem relógio.
Dormi.
Quando vi, era segunda.

01/07/2013

Pop

Acho que isso me inspira um sentimento, essa situação estranha à qual nos submetemos hoje. Não sei dizer o que mudou, mas há um quê de diferente em todo esse clima. Estamos mais atraentes, nossos corpos e linguajares suburbanos foram modificados e o que antes era nosso pequeno grupo aumentou. Quanta gente ao nosso redor, quantos amigos e conhecidos, rostos beijando nossas faces e abraços nossas costas. Somos os populares que antes queríamos ser, somos os melhores amigos de todos aqueles que por alguma razão admirávamos tempos atrás. Nossos pequenos ídolos encarneceram-se e de tão reais já não mais brilham como antes.
            
Brilhamos tanto quanto nossos antigos ídolos, ou até mais. Se eles passaram por todo um processo de decadência ou nós pelo de ascensão já não mais interessa. Refletimos se os olhos atentos lá fora nos acompanham com o mesmo fervor com o qual acompanhávamos nossos antecessores e aderimos às imposições sociais de beleza e socialização. Criamos uma imagem em cima do que somos para enfim sermos vendidos como meras ideias. Sofremos a escravidão da vaidade revolucionária e divina. Tornamo-nos ícones dentro de um contexto na simplória esperança de sermos admirados.
            
Tudo é uma questão de inspiração: ver alguém e usar a mesma roupa com o cabelo de outra pessoa e um toque de algo que já temos, na esperança de alguém espelhar-se em nós e inspirar-se. Na esperança de que alguém deseje ser quem somos, deseje ter o que temos ou exclusivamente ter-nos por completo. Inspirar é ser desejado, é uma deprimente carência que de tão grande não cabe no nosso próprio cotidiano: é preciso estarmos dentro até mesmo das pessoas desconhecidas. A vaidade é o reflexo da solidão capitalista, e nós as armas de nossa própria solidão egocêntrica. Somos o cuspe desesperado do nosso profundo objeto de desejo, uma confusão luxuriante perdida entre restos e nichos procurando ser alguma coisa.
            
E tudo isso nos trouxe aqui, de volta ao ponto de encontros de outrora. As andanças de nossas almas desde a nossa separação se torna evidente em cada gesto nosso. Pessoas inimagináveis se uniram por motivos talvez mais profundos do que a minha compreensão. Laços relacionamentais foram modificados, alguns desfeitos e criaram-se novas alianças -- trocaram-se novas alianças. E afinal, no meio de tanta gente tentando ser uma imagem presente se transportando para todos os lados, de fora pude enxergar com maior clareza quais laços realmente contribuíram para o que eu sou hoje. Alguns laços se tornaram fortes o suficiente dentro de mim a ponto de cultivarem uma intimidade que mesmo após anos apodrecida, floresce novamente como se nunca tivesse deixado de existir num simples reencontrar com velhos amigos.


30/06/2013

Cifrado



- Ei morena, vem cá.
- Sim?...
- Me dá seu telefone depois?
- Dou agora.
- Te ligo mais tarde.
- Alô?
- Boa noite!
- Boa noite!
- Bom falar com você... qual é o seu nome mesmo?
- Ceres! Cê é erre é esse.
- Legal, gostei do seu nome.
- Obrigada.
- Te busco aí, tá?
- Tudo bem.
- Nossa, você está linda.
- Obrigada!
- Posso chegar mais perto?
- Claro que pode.
(aqui acontece o primeiro beijo)
(e o segundo)
(o terceiro)
(e um abraço tão apertado que não dá mais vontade de soltar)
- Ei, fui com a sua cara.
- Eu te adorei, morena.
- Fica só comigo?
- Fica só comigo?
- Eu fico!
- Eu também.
(e outro abraço)
- Boa noite linda, quero ficar com você mais um tanto de vezes!
- Boa noite, idem.
- Ei, fica aqui comigo hoje?
- Claro!
- Bom te ver.
- Sempre bom...
- Queria namorar com você, sabia?
- Nossa, preciso responder agora?
- Não... depois falamos sobre isso.
- Tudo bem então...
- Quer vinho?
- Quero.
- Na minha casa ou na sua?
- Na sua.
- Mas nossa, só me encanto com você.
- Ei, quero namorar com você também!
- Então vamos esperar uma semana e...
- Calma! Vamos deixar acontecer, né?
- Sim...
- Ei!
- Ei!
- Vontade de te ver!
- Também!
- Quando vai ser?
- Vem me ver hoje!
- Desculpa não pude ir... amanhã, tá?
- Tá bom.


- Tô trabalhando muito e...
- Tudo bem.





- Ei, quer ficar comigo hoje?...









- Tchau, Cecé.
- Tchau.


29/06/2013

Tão bem...


Era fim de tarde. Ele desceu do carro aqui na porta, e veio na minha direção. Eu o esperava em pé na grade, como de costume. 

- Como você está?  ele disse, colocando a mão direita nos meus cabelos.
- Tão bem! E você? e fui fechando os olhos
- Também, meu bem. 

Mesmo sem abrir os olhos, vi que sorria para mim. Abri os lábios para poder receber seu beijo.

- Tão bem... estou tão bem... 
Eu disse, um pouco embriagada. E dessa vez quem sorriu fui eu.

Senti seus braços me abraçando a cintura, sua mão grande no meio das minhas costas, me friccionando contra seu corpo. Eu podia te sentir inteiro em mim, e subia nas pontas dos pés para poder ocupar seu peito por toda latitude.

- Te amo.
- Tão bem... tão bem.

E te apertei um pouco mais.

28/06/2013

O chão pode debandar


Pintei meu rosto com brados de luta. Não sou mais eu, agora eu sou o povo. Minha opinião que fique em casa, nas próximas horas eu defenderei com unhas e dentes o que a sociedade em geral quer mas teme defender. Brademos, brademos! Não são eles, não sou eu, somos nós. Não é o ontem, não é hoje, é o futuro que ecoa entre essas ruas amedrontadas. O comércio se fecha, os militares acompanham de perto com olhos ferozes. É só uma baderna, poucos minutos de baderna... mas então por que se preocupar? Minha baderna não perturba a paz da classe oprimida, senhor governador, minha baderna é a voz dos pobres. Você virá até mim, senhor governador; você virá até nós, silenciar dos pobres a voz?
            
Afinal tanto fazemos para melhor servir-vos, fazemos uma reverência meio desajeitada para as pessoas que, como vocês, nos observam com olhos de águia lá de cima e, senhor governador, por que nos quer tão longe? Não servimos bem o suficiente? Por que querem nos exterminar? Tudo bem, sabemos que a cidade parece mais bonita quando frequentadas apenas pelos senhores do dinheiro... mas vocês se esqueceram que, quando pisam em nós, nos tornam vosso chão? Como chão, senhor, podemos debandar e derrubar vocês. Não é muito o que estamos pedindo, apenas, por obséquio, se lembrem que vocês são humanos como nós e ainda não possuem asas para voar. Apenas queremos dignidade, embora vocês que estão sempre andando aí em cima se esqueçam de que, o que está logo abaixo é mais importante do que o que está acima. Quem está embaixo é que mantem o equilíbrio de quem está no alto.

27/06/2013

"Just breathe"


Enquanto houver uma fresta na minha janela para entrar sol, ficarei embaixo. Deitarei lá, e me despirei de tudo o que me faz deixar de ser quem eu sou. Quero luz em mim, nas têmporas, nos cabelos, na barriga, nos pés. Quero calor.

Se chover tomarei a chuva, se ventar sentirei frio. Se não for assim, não faria sentido esperar pelo sol novamente. E não me permito ser ansiosa... eu espero.

Debaixo do sol venho lutando por não querer queimar na luz dos olhos seus. Por não querer arder na sua pele. Lutarei até dormir e sonhar com você. Um sonho com sintomas de pesadelo... Acordarei e o sol ainda estará lá. E enquanto houver uma fresta na minha janela, ficarei lá embaixo.

Respirarei... apenas respirarei. Porque "Nem tudo que nos aborrece e faz sofrer é, forçosamente, um mal."

25/06/2013

Se ancorar


Não estou pedindo para ficar, mas vem cá.
Deixa eu te amassar no sofá.
Na sua casa ou na minha, tanto faz.

Me segura vai, não me solta mais não.
Faça jus à minha tatuagem que você cobre com a mão.
Mistura meu perfume no seu.
Seu suor no meu.

E vem aqui até querer ficar mais um pouco.
Tomar um café enquanto exerce o dom de acordar rouco,
e eu arrepiando só de pensar que dormi com você.

Vem cá, meu bem...
quantas vezes será que já te chamei?
Vamos para a sala, pro corredor, pro seu carro.
Vem cá e eu te construirei.

Eu em você,
você em mim.
No sofá, e em todos os lugares que quiser ficar...
vem cá se ancorar.


23/06/2013

War


A confusão estava declarada! O principio de um banho de sangue, uma verdadeira desordem! Um ódio repentino,reprimido, surgiu. Algo que estava adormecido em cada um, porém, isso tudo se tornou coletivo.
O motivo era de todos. Mas ninguém soube entender o que era união de verdade.

Fomos traídos por nós mesmos, pela nossa ignorância. Pessoas atacando pessoas, atacando coisas sem razões definidas, onde isso parecia certo?

Eu observava tudo aquilo, perplexa, sem compreender nada. Foram eventos tão espontâneos, rápidos que minha cabeça ficou confusa. Quem eram esses ex adormecidos? O que ou quem de fato despertou?

Respirei fundo, tomei coragem e subi num banco e perguntei a todos "Por que vocês ferem seus irmãos?" "Por qual motivo estamos nos destruindo dessa maneira?"

De repente pararam todos e me olharam. Alguns curiosos e outros sem entender nenhuma das minha indagações.

Então alguém no meio da multidão gritou "Cala a boca, sua louca!" Todos deram um rugido coletivo e começaram a se matar de novo.
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