31/08/2013

Auto da cidade parte II

Estou completo, sou demais até para mim. Quero tudo, mas numa cidade onde a idade e o status são tudo o que importa, o tudo é algo apenas inexistente. Em São Paulo não há nada, ninguém nunca é nada. O vazio é permanente, transbordam pessoas mas falta gente. Onde gastar o tempo em uma cidade que não para, que não para de repetir os mesmos erros? A vanguarda é uma ilusão. Verdade é a chuva caindo, são os segundos arrastando os pés. Não quero compartilhar minha eternidade oca com ninguém fora ou dentro deste lugar: não quero me compartilhar com ninguém. Mas também não quero ficar sozinho. Sou único? Mas deuses, por que essa coisa de ser único tem um som tão solitário?
            
Um tambor reverberando no túnel da espera. Espero enquanto o senhor da foice não vem. Não há no que acreditar senão na certeza de que sou tão sozinho como qualquer outro cidadão -- será que isso me torna igual a eles? Estou cansado da confusão do nada. Meu peito murcha ao ver o sol: mais um dia, mais um dia dessa mesma coisa, mais um dia dessa mesma agonia. Agonia de não viver, ser apenas mais um, apenas existir. Afinal enquanto sou esmagado pelo relógio, enquanto sinto na pele cada minuto não vivido e cada ruga que ainda não tive, isso é tudo o que me resta: a plena existência. Depois de tantos meses preso, choro vontade de viver, vontade de ser. Nada mais, não sofrer. Não me irritar nem complicar: só ser, só viver e ser vivido. Ser vívido.
            
Entretanto junto com meu choro de vida choram os piches nos muros há quilômetros de distância. Um preto em pedras cinzas, tudo o que há nesse lugar são esses cinquenta tons de cinza. O grito metropolitano é no muro e em nenhum lugar mais: ninguém bota a cara pra bater nesse lugar onde em um segundo tudo se pode perder. É preciso seguir as convenções, as modas. Entricheirar-se em estereótipos, em rodas. Se expressar em nossos gostos e redes sociais tudo o que queríamos ser, mas deixando sob as vestes a única verdade que poderíamos conhecer. Somos sombras apenas, fantasmas, centelhas. O problema é que só nos daremos conta disso quando nossa carne se tornar inútil, jogada num cemitério como qualquer outro, sob outra construção de pedra -- tudo é pedra -- talvez com uma frase e um ramo de flores. A compreensão só vem quando os únicos que nos desejam são os vermes.
            
Enquanto isso não vem, só resta esperar. Seguir o instinto da carne vez ou outra e, nas horas de ócio, rezar ao deus da minha preferência do momento para que surja alguém que abra meus olhos e diga que eu estava errado. Que me iluda ao ponto de fazer-me acreditar que há algo no mundo em que ainda valha a pena apostar. Choro a vontade de ser ludibriado para ver beleza mesmo onde não há, ter vontade de felicidades instantâneas como se elas fossem tudo. Me entregar e então apanhar, ser chutado de volta a escuridão do caixão seja em vida ou seja em morte. A ilusão é uma sorte.


27/08/2013

Esteriótipos

Meu bem, é o seguinte: não é porque eu sou negra e tenho perna grossa que eu vou dançar um funk, rebolar até o chão e gostar disso. Eu uso roupa curta, mas não vou deixar você passar a mão na minha perna. 

Tenho facilidade de falar sobre sexo, mas não quero ver o tamanho do seu pênis, muito menos dissertar ou falar acerca do desempenho que você teria caso me levasse pra cama. Eu me masturbo, admito isso, e nem de longe isso é da sua conta. 

Eu gosto de escrever, tenho a letra bonita e não vou escrever uma poesia para você dizer que é sua e levar na sua aula de português. Vou toda semana ao salão escovar os cabelos e mesmo assim me aceito, acredita? 

Quando estou afim de um cara dou em cima dele, mas isso não quer dizer que eu vá dar em cima de você também. Se sou educada com você no ponto de ônibus ou agradeço por ter me dado uma cantada não quer dizer exatamente que eu queira ficar com você. 

Sim, eu tomo iniciativa das coisas e gosto de falar em público, mas não precisa achar que eu quero ser melhor que você. Eu torço pro Atlético Mineiro, e não ligo mesmo - de verdade - se você torce para o Cruzeiro. Senta aqui do meu lado, vamos falar de algo que temos em comum.

Antes de achar qualquer coisa de qualquer pessoa, pense se isso não é só um esteriótipo ou um pré-conceito qualquer. O jeito com o qual eu me porto não deve influenciar no tamanho do seu respeito por mim. Antes de ser tudo isso que você vê, eu sou mulher, tenho sentimentos e sou importante; como qualquer outra pessoa que você ama (sua mãe, por exemplo).

Não estou pedido muito, é só o que quer que façam por você também.

26/08/2013

A depender de mim


Sem mais rotinas, quero a minha autonomia!
Sair dessa mesmice, de me preocupar com essa vida adulta sem motivos.
Não, não é fugir das responsabilidades, é fazer o meu caminho, fora desse padrão ignorante que a 'boa conduta' nos impõem.

Quero cada samba de todos os cantos desta terra, vou é me jogar na roda!
Cada paisagem, cada pessoa, cada som será único e te verei em todos eles.
Todas as flores mais raras eu vou descobrir e me perfumar.
Quero todas as musicas da natureza, quero sentir esse mundo inteiro pulsando na minha liberdade.
Sem planos, sem mapas, sem roteiro, será inesperado como a primeira vez que te vi.

Essa é a minha vida e pela a minha lei, a gente vai ser feliz. É isso tudo que vai construir o meu ser, será a minha busca das respostas que nunca tive.

Serão várias alvoradas e crepúsculos de todos os ângulos possíveis. Será aquela água gelada que nos renova de várias fontes, seja do céu ou da terra. De estar descalço e sentir as vibrações do mundo que existe em mim. Cada descoberta, cada aprendizado será de choro e de alegria, de saudade e desapego. E cada sorriso, meu bem, será dedicado a você.

25/08/2013

Corrida pelo inalcançável

Preciso correr pra não ficar pra trás. Tudo aquilo em que me sustentei está se movendo tão depressa que meu chão não é outra coisa mais senão uma esteira. Sem fim. Minhas pernas se cansam, endurecem, adormecem, enfraquecem, mas não posso ceder -- por que não posso ceder? Se eu cedo agora, ainda cedo, meu próprio peso se voltará contra mim e eu cairei. Espatifarei minha cara no chão e continuarei seguindo, um peso morto qualquer acima da esteira, como tantos outros por aí. As centenas de pessoas que antes me seguiam pularão por cima de mim e seguirão em frente em suas próprias corridas para chegar sabe-se-lá-onde -- o Infinito.

Parece tão bobo desse ângulo, vendo o quão parecido sou com tantos outros. O fim da corrida parece tão inalcançável que a resposta mais sábia parece ser apenas se deixar levar, se jogar duramente no solo esperando perder a consciência, a capacidade de lutar, a possibilidade de ver o quão ridícula é essa nossa luta coletiva em busca de um pseudo poder individual. Por que tudo isso importa? Dinheiro, roupas, pessoas, amores, felicidade. Por que tanta competição? Por que tantos obstáculos me impedindo de ser quem eu sou?

Eu não quero lutar. Eu não quero correr. Eu não quero agradar ninguém, ser simpático ou seguir qualquer protocolo. Eu não me importo realmente. Não faço parte de todas essas pessoas iguais, diferentes, não pertenço a lugar nenhum. Alguém deve ter me botado aqui sem eu ter percebido, sem que eu saiba o porquê. Meu lugar não é aqui, disso eu tenho certeza. Amo muitas pessoas e coisas que odeio, amo existir, mas a existência é detestável. Somos todos detestáveis. Eu quero um pouco de tudo, alcançar o inalcançável, mas também quero morrer um pouco. Todos os dias. Para sempre.



18/08/2013

Bum!

Era tanta gente ao nosso redor! Tantos brados! Uma cena tão linda! Não pude resistir e puxei você para mim. Ignorei as brigas nas quais as pessoas ao nosso redor se metiam. "FASCISTA!" gritavam de um lado, "OPORTUNISTA!" gritavam do outro, "SEM VIOLÊNCIA! SEM VIOLÊNCIA!" gritavam do meio. Outras canções e gritos de guerra reverberavam nos arredores do manifesto mas eu me agarrava ao calor dos seus lábios como se fosse a última vez que fosse senti-los.

-- Talvez a gente morra essa noite -- eu disse, ofegante, triste, radiante, exultante. Todos os "antes". Eu sentia todas as coisas ao mesmo tempo como se houvesse uma chama dentro de mim gritando que isso, essa coisa de estar à beira da morte, é o viver de verdade.

Senti a fúria da urgência em suas mordidas. Pessoas nos empurravam. Tudo o que eu ouvia eram zunidos e um bum. Assim... bum! Arregalei os olhos enquanto todos ao nosso redor corriam para todos os lados. Salvem suas peles!, era o grito desesperado de milhares de pés. Iam para lá e para cá e no meio da confusão o perdi.

Outro bum e mais outro. Meu amigo, meu companheiro. O conheci essa noite, fizemos amizade, lutamos juntos pelo país. Não perguntei o nome dele. Não sei qual exatamente era a causa pela qual ele estava lutando ali. Será que ele era amigo ou inimigo? Se sobrevivêssemos, será que ainda lutaríamos um contra o outro? Nos salvaríamos? Ou será que nossos filhos o fariam por nós?

O som da marcha imponente corria em minha direção, ecoando em mim. Corri sem saber muito bem para onde. Nos últimos tempos, em outras noites como essa, vi que há muito mais coisa por trás das pessoas com quem passamos nosso tempo do que imaginamos. Por que eles estavam do lado inimigo e eu aqui? Meus amigos agora eram instantâneos, militantes que me ajudavam ou se uniam a mim todas as noites na defensiva dos rebeldes. Eu resistia com milhares de outras pessoas, porém, sozinha. Como aquele inesquecível beijo de fúria, tudo o que eu podia fazer agora era atacar ou correr.


14/08/2013

Sobre o amor dentro de mim (por você)


Todos os caras que passam por mim são você.
Todos os carros que eu espero passar antes de atravessar a rua estão te levando para algum lugar.
Todos os bebês que vejo são o filho que nós vamos ter.
Cada casal enamorado que se beija na rua somos nós dois... juntos.
Venho andando e tentando não te esquecer em cada esquina.
Penso em você e vejo que mal ganhei, e já perdi.
Eu te desencontro todos os dias, em tudo isso.
Mas esqueço que te tenho aqui dentro de mim.
Suficiente ou não, é o que eu posso viver.
O meu amor, dentro de mim, por você.

11/08/2013

- Alô, tudo bem? Tô bem também, é que



hm, sei lá sabe, só liguei pra dizer que não sei quando volto. As coisas têm estado meio bagunçadas ultimamente e minha cabeça simplesmente não consegue descer das nuvens. Tenho me sentido completamente conectado com tudo e com todos ultimamente mas, sabe, não consigo dar atenção a ninguém. Tenho me distraído bastante, passado horas pra responder as pessoas no facebook, dias pra responder as mensagens que tenho recebido no celular... tenho feito de tudo mas, se for balancear, eu não tenho mesmo é feito nada. To só flutuando, sabe? Deixando a vida me levar, seguindo os ventos, ora cá ora lá. Lembra daquela empresa que eu disse que comecei a trabalhar meses atrás? Tenho crescido bastante lá, tem acontecido tanta coisa... tá tudo uma bagunça e eu to tentando equilibrar tudo bagunçando a mim também. Não sei se cê já passou por isso, sei lá, eu to com saudades daí, mas não me imagino largando esse lugar tão cedo. Sinto saudades daqui também, tem tanta coisa que ainda não vivi e fico um pouco triste quando penso que não sei se é possível viver tudo o que eu quero... se pá é por isso minha insônia. Tenho dormido muito pouco ultimamente, passado dias inteiros cansado mas, simplesmente, não consigo dormir. Vou ter tempo pra isso quando eu morrer. Acho que se estamos vivos é porque é pra viver né, apesar de que ficar na cama por horas é maravilhoso também. A gente sonha com mais facilidade. Mas não tenho precisado sonhar de olhos fechados ultimamente, to só sonhando de olhos abertos e correndo desesperadamente pra descobrir de que são feitos esses sonhos quando eles se materializam na nossa frente. Tenho descoberto que os sonhos são naturais, o que é quase decepcionante, mas o real é muito melhor que o sonho. Vocês deveriam vir pra cá viver comigo, largar tudo o que vocês planejaram e sentir essa coisa que é a vida soprando nosso cabelo em viagens constantes e infinitas. Tenho muita coisa pra contar agora, uma sucessão infinita de histórias mas não adianta o quanto eu as repita, elas jamais serão uma cópia fiel ao que eu vi e senti. Tenho conhecido tanta gente bacana que nem sei mais o que é ódio ou raiva ou frustração, to só amor ultimamente, se eu puder me dar ao luxo de anexar tal qualidade a mim. Ser humano é tão bom... apesar dos obstáculos e limitações acho que deveríamos reclamar menos. Podíamos ajudar mais, parar de cobrar pra fazer qualquer porcariazinha de favor. Ser humano não é isso. Acho que isso é coisa de máquina caça níquel. Mas não acho que eu tenha o direito de achar qualquer coisa, acho que o que as pessoas pensam ou fazem não é da minha conta. Da minha conta é só viver minha vida. É só seguir. E nessa coisa de viver tenho me sentido evoluindo embora eu ache que pensar nisso é um regresso, evolução é uma coisa tão mesquinha e egoísta, é pensar que há algo melhor que outra coisa, e por haver algo melhor há algo pior, algo inferior. E nada é inferior. Desde que decidi seguir tenho sentido que as coisas apenas são. Mas acho melhor desligar né, nem sei mais o que to falando, liguei mesmo era pra dizer que senti sua falta hoje e... cê tá aí ainda? Alô?

09/08/2013

Tempo verbal

Queria te encontrar ao acaso num domingo ensolarado. Eu te miraria de longe, feito uma felina escondida; até você retribuir meu olhar cheio das segundas, terceiras e quartas intenções. Eu te mostraria minhas presas de predadora, e você retribuiria o seu sorriso de presa indefesa. Penetraria o seu olhar com o meu, te deixando imóvel, hipnotizado. Caminharia na sua direção, e quando estivesse próxima o bastante saltaria em cima do seu corpo relativamente pequeno e usaria as minhas garras para finalmente te capturar no meu abraço. 

Quando te abraçar, verei que na verdade o predador é você - que usa seu braço para me algemar a cintura - e que seu sorriso de presa na verdade, é mordida de animal feroz. Rasgará meu pescoço afora, e eu sentirei todos os pêlos do meu corpo arrepiarem em ritmo frenético.

Usarei as minhas garras novamente, para te apertar ainda mais a nuca e tentar reverter aquela situação. Você me apertará ainda mais - agora com os dois braços - e por pouco eu ficaria sem ar. Descerei as mãos da sua nuca, passando por seus braços, e grunhirei: "Tudo bem, você ganhou!". 

Verei contentamento nos seus olhos que, por tantas vezes, eram puro mistério para mim. Você usará sua boca para aprisionar-me a língua, os lábios, e consequentemente, a mim mesma. Não relutarei mais. Agora as minhas garras apenas puxariam suas roupas para que o ergástulo fosse finalmente consumado. Você me predou.

Depois só vou querer escrever sobre você. Criar situações para que você as viva comigo. Te cobrir de metáforas, de palavras difíceis. Quem sabe até usar os verbos num tempo feliz... Pelo menos uma vez esbarrar com você no tempo presente. Na verdade, queria mesmo é que nossos sorrisos se esbarrassem.
Aí sim.


06/08/2013

Inferno

É o ruído do metrô, a vibração do ônibus, a convulsão da minha cabeça, são gritos, sou eu. O inferno. É a queimação do que eu poderia transformar em racional, do que eu poderia transformar em surreal, do que eu poderia transformar em felicidade. É me vomitar para dentro e sufocar em todas essas noites solitárias. Desejar a sombra que me tortura enquanto luto para me libertar dela, ir em direção a um horizonte límpido e desconhecido sem um porquê. A sombra é conhecida, a escuridão é desde e para sempre presente, o breu é a segurança.

Eu agonizo, eu danço como um satanista dentro de mim, a morte nunca chega. Nada nunca chega. O terror é infinito. O inferno. É aqui. Meu pecado amargo. A dança voluptuosa da dor, as luzes apagadas por trás dos meus olhos. Dormir para sempre. É isso. O inferno. Dormir para sempre: acordado. Nunca estar ciente o suficiente, ciente o suficiente para perder a razão. Para ser máquina como qualquer um, ser feliz, ser massa, ser massa infeliz. Eu tenho que correr -- para quê? -- correr até o fim que nunca chega correr desesperadamente correr pela minha vida e se tropeçar e me despedaçar e cair mesmo assim devo correr e correr mesmo que me esfole devo correr mesmo que eu me torne carne viva correr devo correr porque tem algo atrás de mim correr nunca parar de correr correr é para a vida para correr tentar achar essa coisa correr essa coisa que chamaram de viver essa é a resposta correr para tudo correr e correr até morrer e mesmo assim continuar correndo. Correr. Nunca parar de correr. Tem algo atrás de mim -- mas o quê? Devo correr, só sei disso.

A qualquer momento os demônios podem me pegar ainda mais terrivelmente do que já pegam -- o quê? -- correr correr sem pensar só isso correr correr na escuridão ser torturado sem se submeter à tortura correr até enlouquecer porque só assim se chega a algum lugar correr corra do zumbido, corra, corra, esse eco, essa voz que me diz pra fazer alguma coisa com essas pernas, ser alguma coisa com essa capacidade de ser alguma coisa, pega esse eco e corre pra salvar -- o quê? Correr. Chorar oceanos de lágrimas no meu breu enquanto sapateio e acima de tudo corro, morro, mas continuo mesmo na miséria intelectual financeira emocional miséria total, correndo mesmo após a percepção do tamanho da minha mediocridade que nem é tão maior que a dos outros assim. Mas eu choro enquanto corro e corro enquanto choro porque não quero ser devorado não quero ser devorado como qualquer um e virar massa no estômago do monstro correr é isso que devo fazer correr e a resposta está aí. O ciclo eterno. Correr para sobreviver, nunca chegar a lugar nenhum. Correr, Morrer.


04/08/2013

(Parênteses)


Estou aqui sentada, contabilizando todas as vezes que quis passar na sua rua para ver se te encontrava (usando o meu short curto). Quis, quis muito, mas não passei. Me contento com a rua paralela, olhando pro seu quarteirão do meu lado esquerdo, toda vez que volto para casa (grande coisa...).

Admito que há algo dentro de mim que grita insanamente para que eu te procure. E diga: "Ei, te quero (dos pés à cabeça, todo o seu corpo, sua boca me mordendo, me beijando) pra mim!".
Há algo em você (tudo, na verdade) que me faz ter vontade de nunca mais sair da ponta dos pés. Quero alcançar sua boca, quero te abraçar pela nuca ("cê" sabe, sou baixinha).
Há algo entre nós que eu nunca vou saber o nome. Denominarei paixão (tesão, tesão!).
Há algum lugar no qual nos encontraremos. Haverá um tempo para isso (que é "nunca", só pode).

E aí sim te explicarei de todas as minhas fases (porque como você mesmo disse, sou complicada e perfeitinha). De tudo que passou na minha cabeça quando estávamos juntos. O que ainda passa quando sinto seu perfume (você, você, e mais um pouco de você; de todos os ângulos possíveis).

Fico pensando nessa força maior que fez com que naquela tarde meio louca eu te conhecesse; depois nos unisse feito dois imãs de segurar papel e agora contribui para que nunca mais eu te encontre... Deve vir de Deus, só pode (tomar no cu, viu)

Mas talvez seja melhor não contabilizar. Nem pensar. 
O fato é que te quero dentro dos meu parênteses (porque no coração, você já está). Quero beijar, estar com você; quero te pegar sóbrio (e te embebedar com a minha saliva). Quero literalmente matéria entre nós dois (porque meus pensamentos e imaginação são todos seus, todos eles). Quero você fisicamente (e quimicamente) falando.  

Vem cá, vem gostar de mim também (ou melhor, só me leva pra você). Me deixa te abraçar com os meus parênteses.

imagem: pinterest
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