09/08/2013

Tempo verbal

Queria te encontrar ao acaso num domingo ensolarado. Eu te miraria de longe, feito uma felina escondida; até você retribuir meu olhar cheio das segundas, terceiras e quartas intenções. Eu te mostraria minhas presas de predadora, e você retribuiria o seu sorriso de presa indefesa. Penetraria o seu olhar com o meu, te deixando imóvel, hipnotizado. Caminharia na sua direção, e quando estivesse próxima o bastante saltaria em cima do seu corpo relativamente pequeno e usaria as minhas garras para finalmente te capturar no meu abraço. 

Quando te abraçar, verei que na verdade o predador é você - que usa seu braço para me algemar a cintura - e que seu sorriso de presa na verdade, é mordida de animal feroz. Rasgará meu pescoço afora, e eu sentirei todos os pêlos do meu corpo arrepiarem em ritmo frenético.

Usarei as minhas garras novamente, para te apertar ainda mais a nuca e tentar reverter aquela situação. Você me apertará ainda mais - agora com os dois braços - e por pouco eu ficaria sem ar. Descerei as mãos da sua nuca, passando por seus braços, e grunhirei: "Tudo bem, você ganhou!". 

Verei contentamento nos seus olhos que, por tantas vezes, eram puro mistério para mim. Você usará sua boca para aprisionar-me a língua, os lábios, e consequentemente, a mim mesma. Não relutarei mais. Agora as minhas garras apenas puxariam suas roupas para que o ergástulo fosse finalmente consumado. Você me predou.

Depois só vou querer escrever sobre você. Criar situações para que você as viva comigo. Te cobrir de metáforas, de palavras difíceis. Quem sabe até usar os verbos num tempo feliz... Pelo menos uma vez esbarrar com você no tempo presente. Na verdade, queria mesmo é que nossos sorrisos se esbarrassem.
Aí sim.


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